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Mensagem de Audrey Azoulay, Diretora-Geral da UNESCO,
por ocasião do Dia Mundial da Oliveira
26 de novembro de 2020
Hoje, pela primeira vez, celebramos o Dia Mundial da Oliveira e os valores da paz, da sabedoria
e da esperança encarnados por esta árvore emblemática.
Cultivada há 5.000 anos nas regiões de clima mediterrânico, a oliveira atravessa o espaço e o
tempo, desde a madeira sólida e protetora do leito nupcial de Ulisses e Penélope até aos
comoventes quadros de Van Gogh.
Esta árvore lendária está presente nas mitologias e nos textos sagrados e alimenta o imaginário
cruzado de poetas, pintores e artistas de todo o Mediterrâneo.
Esta herança é também a do azeite, base de uma tradição culinária ancestral e plural, que deu o
seu sabor a pratos que são hoje degustados em todo o mundo.
A oliveira é, assim, uma árvore universal, que tem acompanhado a humanidade ao longo de
milhares de anos, e que também encarna as suas aspirações e esperanças, pois com a sua
lendária longevidade e resistência, escapa à miopia do egoísmo: plantar uma oliveira e comer o
seu fruto é, em si, uma forma de partilha e de intercâmbio.
É sem dúvida por estes motivos que a oliveira tem sido, pelo menos desde a antiguidade, um
símbolo universal de paz.
Hoje, este símbolo continua a acompanhar-nos: não só os seus ramos adornaram a bandeira das
Nações Unidas desde a sua criação, como uma oliveira também cresce na Praça da Tolerância,
na nossa sede em Paris, lembrando-nos permanentemente do nosso compromisso e da nossa
razão de ser.
É por tudo o que esta árvore simboliza, esta exigência de abertura e intercâmbio, este ideal de
concórdia entre os povos e de harmonia com a natureza, que a Conferência Geral da UNESCO
decidiu celebrar a 26 de novembro o Dia Mundial da Oliveira.
Todos os anos, a partir de agora, esta data será uma oportunidade para trabalhar em prol da
paz que a oliveira promete, como escreveu o sociólogo e poeta argelino Youcef Sebti: "Grande
oliveira / árvore da paz, [...] / Haverá um dia / em que serás sagrada, venerada mais do que hoje?
/ Então ofereceremos aos amigos / as tuas folhas. Ajoelhar-nos-emos a teus pés, / queimaremos
incenso para ti. /Cobrirás / cidades / aldeias/ campos. Seremosfelizes; / a guerra terá acabado"
Youcef Sebti, "L'Olivier", L'enfer et la folie, Saint-Denis (França), Edições Bouchène, 2003.